Ao entrar no supermercado ontem fui abordada por um homenzinho de idade com um bloco de notas e uns panfletos na mão. Sorri e pedi desculpa mas não tinha tempo ou dinheiro para fosse lá o que ele quisesse dizer ou vender, julgando ser alguém a fazer publicidade de um produto ou alguém de uma instituição a pedir dinheiro. Ora, eu até gosto de ajudar os outros mas monetariamente é-me muito difícil. Sou uma estudante universitária longe de casa, acho que falo por muitos quando digo que cada cêntimo faz falta.
Fiquei impressionada com a resposta do senhor:
-Oxalá nunca perca esse sorriso, já valeu a pena a simpatia do seu sorriso! A maioria das pessoas vira-me a cara.
Não consegui voltar a ignorar o senhor e virei-me e sorri novamente. Mais uma vez pedi desculpa mas sim por ter sido tão esquiva momentos antes. ele disse que não havia problema, pelo menos eu tinha perdido pelo menos um segundo para sorrir, e o meu sorriso tinha lhe dito que eu pelo menos tinha notado a presença dele. Hoje em dia a maioria das pessoas passava por ele e nem o via.
Ele era sim de uma instituição, não me lembro ao certo qual porque realmente estava com pressa, só sei que era para ajudar pessoas com SIDA. Disse-lhe que naquele momento não podia ajudá-lo e fui embora.
Mas aquele encontro ficou-me na cabeça. Quantas vezes não terei eu passado por pessoas que só precisavam de um sorriso e nem dei por elas? No nosso quotidiano atribulado esquecemo-nos que existem mil e uma vidas à nossa volta. Passamos por alguém e nem notamos a sua presença. Apesar de vivermos numa sociedade acho que lá no fundo vivemos sozinhos. Fechamo-nos nos nossos problemas e tornamo-nos alheios aos outros grandes problemas que existem no mundo.
Mais tarde voltei á porta do supermercado mas o senhor já não lá estava. Será que ele já la tinha estado antes, outro dia, talvez até me abordado e eu nem tinha feito caso? Senti-me uma pouco arrogante nesse momento. Ás vezes estou tão embrenhada nos meus problemas que esqueço que há quem tenha piores. Acho que lá no fundo somos todos um pouco egoístas. Mas senti-me culpada e durante o resto do dia reparei em toda a gente por quem passei.
Fiquei surpreendida com a diversidade de pessoas que vemos todos os dias, todas as conversas que nos rodeiam, as mil e uma diferentes melodias de vozes, as mais diversas expressões e, o que mais me surpreendeu, a quantidade absurda de pessoas a pedir na rua, não só mendigos, mas também pessoas de associações que talvez precisem do dinheiro ou não, mas que de qualquer forma são ignoradas pela maioria dos cidadãos. e mais uma vez fiquei decepcionada com a humanidade. Porque apesar de vivermos todos juntos, caminhamos sozinhos, alheios aos outros que nos rodeiam.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário