Hoje deambulei pela cidade um pouco. O frio que começa a chegar mais intenso do que nos últimos dias, os fracos raios de sol já mal conseguem aquecer, o vento que brinca com as folhas no passeio torna-se incómodo. Definitivamente, chegamos ao Outono.
Foi no meio da brisa fria que me percebi que não é só meu corpo que sente frio. Meu coração também o sente.
É muito tempo a fingir que sou feliz sozinha. Passei meses em relações vazias, rápidas e impessoais. Dizia que era feliz assim, sem compromissos, sem sentimentos, que gosto da liberdade e que gostar de alguém trás complicações que eu não estou disposta a me preocupar mas... hoje, mais do que nunca, percebo que é uma máscara que uso para não deixar transparecer meu verdadeiro coração. Eu não sou assim superficial e cada vez mais sinto a falta daquele conforto que uma vez tive.
Não me julgo nenhuma desesperada, não quero arranjar um namorado á força nem nada do género. Só sinto falta do companheirismo, do carinho e da segurança que se sente, acho que lá no fundo tenho saudades de me apaixonar e ser correspondida. Ao mesmo tempo fico petrificada com esse pensamento: apaixonar-se significa dar o poder de nos magoarem a alguém.
Se o passado não fosse tão doloroso, se não houvesse alguém que me tivesse magoado tanto, seria diferente? É uma pergunta que já ouvi tantos amigos fazerem e sei que não há resposta. E nunca me julguei a fazê-la. Sempre tive a certeza que eu era feliz assim, livre. Mas de que vale a liberdade se estamos sozinhos? Se não temos com quem partilha-la?
Ás vezes julgo que perdi a capacidade de amar. É estúpido mas é o que minha cabeça diz quando vejo quantas pessoas já passaram pela minha vida e nenhuma delas me cativou daquela maneira que faz nosso coração dar um pulinho, que faz nossos olhos brilharem e que faz borboletas surgirem no estômago. Nunca mais ninguém me fez sentir como se estivesse numa montanha russa.
O que estou a dizer até pode parecer lamechas, muito sentimentalista, mas é como me encontro hoje. não estou deprimida, estou pensativa, nostálgica. A verdade é que apesar de conseguir viver sem ele, o amor é um aspecto importante da minha vida e sinto falta dessa parte mais do que nunca. Eventualmente esta sensação vai passar e vou voltar ás relações superficiais mas neste momento tudo o que precisava era encontrar um porto seguro. Estou farta de ter meu coração à deriva no mar.
Amanhã tudo isto estará esquecido, amanha serei a mesma pessoa mas hoje, só hoje deixei-me levar pela saudade e recordei uma época em que eu era completa, em que na minha vida nada faltava.
Mas águas passadas não movem moinhos...

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