quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Porque de repente sinto a tua falta…

Dei por mim chorando sem saber porquê. Fiquei olhando pela janela, observando a chuva cair quase ao mesmo ritmo que as minhas lágrimas. Fui tomada por um sufoco e por uma sensação de vazio e saudade que era uma dor quase física. Sem esperar, tua face invadiu meus pensamentos. Talvez por ser Natal, talvez por fazer 3 anos que tudo começou, talvez por fazer um ano que tudo acabou… talvez simplesmente porque sinto a tua falta.
Sei que hoje pensei em ti, imaginei-te a sorrir junto da tua família e a certeza de que já não pensas em mim foi tão dolorosa. Sinto-me como se tivesse passado este ano completamente ausente, como se tivesse tirado férias dos meus sentimentos, das minhas dores e desilusões. Talvez tenha sido isso, sei que hoje foi como se eu estivesse de novo á tua frente a ouvir as palavras que destruíram o meu coração, a minha auto-estima, a minha confiança.
Custa admitir mas ainda me magoas, e sinto saudades tuas, ou do que vivemos. Não percebo porque depois de todo este tempo isto volta assim, tão forte como se nem tivesse passado tempo nenhum e todas as certezas que eu tinha de que já não eras nada para mim, desmoronaram como o muro de Berlim. E já não tenho certeza de nada…
Se já estava confusa, agora estou perdida por completo. Porque tiveste que reentrar na minha vida? Preferia que te mantivesses longe, que não tentasses ser meu amigo ou nada parecido. Preferia-te fora da minha vida, preferia não saber de ti, se estás vivo ou morto. Mas não te consigo expulsar dela, é como se tivesse medo de perder parte de mim se te fosses embora para sempre. É que por mais que eu não queira aceitar, tu fazes parte de mim, como fizeste por 2 anos, foste a minha vida durante tanto tempo, arrancar-te dela seria destruir-me, ou parte de mim e não consigo fazê-lo. Infelizmente, ainda preciso de ti, ainda preciso de um sinal de que te lembras de mim, um sinal de que o que vivemos significou alguma coisa, preciso de esses segundos da tua atenção para ter a certeza que não foi mentira, é humilhante mas preciso saber que ainda te lembras de mim, que ainda significo algo para ti, por pouco que seja. E odeio-me por ser tão fraca, mas nem a dor, nem o orgulho, nem a raiva conseguem apagar o que senti durante tanto tempo e o amor não desaparece assim.
E com o aproximar de um novo ano, desejo que consiga viver cada dia, cada luta e cada vitória uma de cada vez.

Deixo aqui os votos de Feliz Natal e Bom Ano Novo*

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Hoje, estou contigo...


Hoje recebi uma daquelas notícias que surgem de repente, sem se esperar e que nos caem em cima como um raio destruindo as nossas frágeis crenças e esperanças. Hoje percebi que a vida é curta demais, injusta demais. Hoje, que estava chateada com o rumo patético da minha vida, descobri quão fútil estava a ser.

Lembro-me de receber uma chamada de uma amiga logo depois do almoço. Ela perguntou como eu estava e comecei a desbobinar todas as minhas preocupações superficiais, todas as minhas angústias estúpidas e desapontamentos mais recentes. Após um enorme monólogo da minha parte, fechei a boca. Ela continuou em silêncio, o que era estranho. Foi aí que percebi que alguma coisa estava errada.

-O que se passa? – perguntei receosa mas não estava de maneira nenhuma preparada para o que vinha depois. Mais alguns segundos de silêncio e então ela verbalizou as palavras que me têm atormentado o dia inteiro e me feito derramar lágrimas como há muito não fazia.

-O César teve um AVC. Está paralítico e perdeu a fala. OS médicos dizem que é irreversível.

Nesse momento foi como se o mundo me tivesse caído na cabeça. Conheço o César desde… desde sempre. Sempre foi um miúdo um pouco parvo, muito brincalhão mas com umas ideias um tanto estranhas. Lembro-me de quando éramos crianças e eu achar repugnante o facto dele ter conseguido comer terra só para ganhar uma aposta. Lembro-me de ele gozar comigo porque eu era mais nova e era rapariga. Lembro-me de quando já éramos adolescentes e eu achar que ele era demasiado patético para uma rapariga que tentava entrar para as classes altas da sociedade adolescente socializar. Depois crescemos mais um pouco e somos amigos, bons amigos.

E do nada, aquele rapaz de apenas 23 anos viu-se com a vida destruída. A parte de ter ingerido uma boa quantidade de terra quando criança, ele sempre foi uma pessoa saudável. Como é que assim, do nada, tem um AVC e perde a locomoção e a fala. Logo o César que adora correr e jogar futebol e é o maior tagarela que conheço?

Porquê ele? Sei que estas coisas acontecem, e ninguém está a salvo mas… é difícil lidar com isto quando acontece a alguém que está tão próximo de nós.

Queria poder estar com ele, poder dizer que vou lá estar por ele, sempre. Apesar da distância, meu coração, minha alma e minha esperança está com ele.

E enquanto me caem as lágrimas pela face abaixo, lembro-me de todas as brincadeiras de crianças, todas as discussões de adolescentes, todas as conversas de pseudo-adultos.

Hoje, as palavras perdem-se na mágoa, hoje, não consigo escrever, não há maneira de descrever o que sinto, não há maneira de tentar arranjar uma explicação para o que aconteceu, e não há maneira de aceitar que realmente aconteceu. Encontro-me a pensar se não terá sido uma brincadeira de muito mau gosto.

Hoje, todos os meus pensamentos estão com o César. E gostaria que todas as minhas forças estivessem com ele. Hoje só quero dizer: estou contigo César, e estarei sempre para o que precisares. Apesar da distância física, todo o meu ser está contigo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sonhos Perdidos


Na minha pele, o cheiro imundo
De memórias mal esquecidas, incertas
De um olhar gelado, vagabundo
Que me deixou marcas, feridas abertas

Recordar, reviver, sem lembrar
São vestígios de desespero, tortura
Imagens, visões que quero apagar
Cruel sensação que minha alma perfura

Jamais serei eu, jamais serei igual
Algo em mim mudou, morreu
Naquelas mãos frias como punhal
Rompeu minha alma, se desvaneceu

Onde foi doce inocência
De menina mulher sorridente?
O sorriso tornou-se dormência
O coração quase não bate, apenas levemente...

São memórias de uma noite perdida
De Tranquilidade esquecida
De uma face enegrecida
Pela violência sofrida...

Isabel S. 16 de Fevereiro de 2008

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Tudo vai...

Há muito tempo que percebi que até as pessoas que sempre estiveram connosco vão embora, mesmo que lutemos para que isso não aconteça. Simplesmente acontece, embora magoe. E magoa muito.

É horrível a perda de alguém que vai embora deste mundo. Saber que não a veremos mais, pelo menos não nesta vida, muitas vezes sem conseguirmos sequer dizer adeus ou sequer que gostávamos dela.

Mas sabemos que isso iria acontecer, a morte faz parte da vida e sabemos que é algo que um dia chegará a todos nós. Por isso aceito-a e consigo lidar com ela.

Para mim a pior maneira de perder alguém é quando eles vão embora e mesmo assim não saíram completamente da nossa vida. E não falo apenas de amores perdidos, esse também os conto como certos, os amores vão e vêm. O que mais custa é perder um amigo. Os amigos para mim deveriam ser para sempre. Dou grande valor á amizade. Sou alguém que dificilmente confia nas pessoas, mas também tenho um conceito de confiança um tanto estranho. Para mim confiar numa pessoa não é contar-lhe os meus segredos e esperar que não os revelem, eu só revelo o que quero até com quem tenho confiança, para mim dar confiança e poder pôr-me de costas e ter a certeza que não me vão apunhalar ou ir embora só porque não os estou a ver, para mim confiança e poder fechar os olhos e saber que tenho alguém que me guie. Esse tipo de confiança muito dificilmente dou. São poucas as pessoas que confio e quando uma delas vai embora é como se levasse um pouco de mim.

Houve alguém que levou muito de mim quando foi embora. E foi embora por uma razão que eu jamais esperei. Foi embora por uma razão que ele não teria se não o tivesse ajudado. Senti que era injusto, que a vida era injusta. Depois de todos os momentos que vivemos, de todas as lágrimas que ele me viu derramar (talvez das poucas pessoas que pode dizer ter me visto chorar), de todos os sarilhos que eu o safei, de todos os segredos que guardei e revelei, depois de todas as provas que ultrapassamos pela nossa amizade, todos os rumores e boatos que enfrentamos, todas as pessoas que tentaram destruir o que tínhamos, o que eu mais lutei para que ele conseguisse foi exactamente o que nos separou.

E hoje sinto a falta desse amigo, sinto a falta da cumplicidade e da segurança de que ele estava ali sempre, tenho saudades das gargalhadas e das parvoíces, tenho saudades da inocência dos nossos actos até mesmo quando outros viam malícia, tenho saudades de ser transparente aos olhos de um amigo. Mas o sempre não existe e até aqueles que consideramos eternos vão embora. Mas dói saber que estamos tão perto e no entanto tão longe. Mas, já não me sinto triste porque o perdi, sinto-me feliz pelo que vivi com ele e por tudo o que aprendemos um com o outro.

Aceitar que tudo na vida um dia vai embora é uma lição importante que nos permite tornar mais fortes e mais conscientes que temos que aproveitar o que temos hoje e esquecer o que vem amanhã. Agradecer por todos os amigos que hoje temos que amanha poderão não estar e fazer de tudo para mostrar-lhes o quão felizes estamos por os ter. E aos que já não posso dizer tudo isto, fica o desejo que sejam felizes.

Por isso agradeço aos meus amigos velhos e novos, aos que ainda virão pela amizade e aos que já foram pela amizade.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Só tu ficaste...

Com o aproximar da minha viagem de regresso á terra natal para passar as festas, os pesadelos voltam a me assombrar. Acontece sempre isto e a cada dia torna-se pior. Pela minha cabeça começam a passar perguntas: o que aconteceu aos meus amigos quando estive fora? Será que mudaram? Será que… ainda tenho o meu lugar no meio deles? Será que a distância não os fez fecharem o círculo tirando o meu lugar nele? É um pensamento que me assusta sempre que penso nele. E os meus pais? Voltar para perto deles será tê-los novamente a controlar cada passo que dou quando passei os últimos meses a ser a dona do meu nariz sem dar explicação a ninguém? Perderei a minha liberdade quando lá chegar?

E depois vêm as memórias de ti. És o pensamento que mais me assusta. Voltar para casa significa voltar a caminhar pelas ruas por onde passamos de mãos dadas, significa rever paisagens que admiramos abraçados, significa recordar os momentos que foram e já não são. Fico petrificada de medo de mais uma vez descobrir que não é apenas nostalgia que sinto mas que o sentimento que por tanto tempo lutei por abafar afinal não morreu.

Na minha vida já me envolvi com muitas pessoas, relações rápidas, relações longas, relações vazias, relações físicas, relações sentimentais demais, até obsessões já vivi. No entanto, de todas elas só tu permaneceste. Namorei quase dois anos com uma pessoa e ele não me afecta da maneira que tu o fazes. Tu, que nunca foste constante na minha vida, marcaste-me mais do que qualquer outro. Parece que ao longo da minha vida me apaixonei por ti várias vezes. Quando sais dela, acabo encontrando outra pessoa, outro amor, mas, talvez por coincidência, é sempre quando mais preciso de amor que tu voltas a entrar na minha vida e apaixono-me novamente. Só que da última vez que foste embora foi diferente. Desta vez não levaste o que eu sentia contigo. O amor que sentia ficou e magoou não te ver, não te ter, não saber de ti.

Já muito tempo passou desde aquela tarde em que o destino fez-nos reencontrar na ruelazinha da cidade, á frente das floristas de rua, numa tarde de Agosto em que eu andava perdida dentro de mim, procurando uma luz no meu caminho escuro, e eis que tu apareceste. Também já passou muito tempo desde que sem dizer adeus, nos despedimos no final da tarde, nenhum a querer sequer falar para não magoar mais do que já magoava, ambos a tentar sorrir para não tornar as coisas mais difíceis para o outro e demos o último beijo, um beijo que muito tempo depois ainda conseguia sentir nos lábios. Foi difícil sair do carro em silêncio, fechar a porta e dirigir-me ao portão de casa, ver o teu carro parado durante segundos e de repente como se quisesses fugir, arrancaste com tanta velocidade que tive medo por ti. Mais tarde soube que também estavas dividido entre sair do carro e abraçar-me de novo ou sair dali para não te magoares mais.

Entretanto nossas vidas seguiram em frente mas… sempre que volto á ilha rezo para não te encontrar. Sinto-me bem na ignorância do que sinto por ti, gosto de acreditar que ultrapassei o que sentia e que estou feliz por teres encontrado alguém mas no fundo tenho medo de perceber que é ilusão, que é uma mentira que inventei para conseguir viver sem pensar em ti. Já me apaixonei entretanto, várias vezes, mas são paixões fugazes, que desaparecem em poucos dias. Tenho medo que me tenhas roubado o coração de vez… ou o destino que nos separou o tenha destruído para sempre…

Ás vezes fecho os olhos e consigo recordar todos os momentos que passamos juntos. O meu primeiro beijo foi contigo, o meu primeiro baile foi contigo, na minha grande peça de teatro estavas tu ao meu lado, representando e entendíamo-nos bem em palco. Estava eu ao teu lado quando o teu melhor amigo deixou este lugar para subir aos céus. Estavas tu comigo quando tudo á minha volta estava a ruir. Tu olhavas para mim como se eu fosse perfeita, fazias com que eu esquecesse todas a imperfeições que me atormentavam. Estiveste comigo quando eu estava perdida de mim mesma, quando me perdi entre festas e álcool, típico dos adolescentes, fizeste-me colocar a cabeça no lugar. Estavas ao meu lado quando meu coração parecia estar tão dividido quanto um puzzle por fazer e estiveste lá para o concertar quando o destruíram, e eu estive lá sempre para te oferecer o meu ombro para chorares, para te dar o empurrão se sempre te faltava, para te apoiar e te chamar á terra, para te criticar quando necessário, eu era a calma para as tuas tempestades, era eu que conseguia fazer-te sorrir quando a fúria tomava conta de ti. Por várias vezes entraste e saíste da minha vida, mas parecia que sempre que precisava lá estavas tu, sempre que sentia que faltava algo, tu aparecias e fazias-me sentir completa.

E agora, agora tenho medo que voltes a entrar na minha vida porque agora será apenas como amigo, como algumas das vezes que voltaste, mas agora, agora a amizade não é suficiente para agradar meu coração. Por isso agora, mesmo sentindo novamente que me falta algo na vida, não quero que voltes porque se voltares tem que ser para sempre e o sempre não existe entre nós. Agora, não me quero apaixonar por ti, outra vez!


Foram tantos os que me beijaram
Foram tantos os que me abraçaram
Foram tantos os que beijei
Tantos os que amei
Mas tu, que rude contraste
Tu que tão pouco me beijaste
Tu que quase nem abracei
Só tu nesta alma ficaste
De todos os que amei

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

We stand together, but we walk alone...


Ao entrar no supermercado ontem fui abordada por um homenzinho de idade com um bloco de notas e uns panfletos na mão. Sorri e pedi desculpa mas não tinha tempo ou dinheiro para fosse lá o que ele quisesse dizer ou vender, julgando ser alguém a fazer publicidade de um produto ou alguém de uma instituição a pedir dinheiro. Ora, eu até gosto de ajudar os outros mas monetariamente é-me muito difícil. Sou uma estudante universitária longe de casa, acho que falo por muitos quando digo que cada cêntimo faz falta.

Fiquei impressionada com a resposta do senhor:

-Oxalá nunca perca esse sorriso, já valeu a pena a simpatia do seu sorriso! A maioria das pessoas vira-me a cara.

Não consegui voltar a ignorar o senhor e virei-me e sorri novamente. Mais uma vez pedi desculpa mas sim por ter sido tão esquiva momentos antes. ele disse que não havia problema, pelo menos eu tinha perdido pelo menos um segundo para sorrir, e o meu sorriso tinha lhe dito que eu pelo menos tinha notado a presença dele. Hoje em dia a maioria das pessoas passava por ele e nem o via.

Ele era sim de uma instituição, não me lembro ao certo qual porque realmente estava com pressa, só sei que era para ajudar pessoas com SIDA. Disse-lhe que naquele momento não podia ajudá-lo e fui embora.

Mas aquele encontro ficou-me na cabeça. Quantas vezes não terei eu passado por pessoas que só precisavam de um sorriso e nem dei por elas? No nosso quotidiano atribulado esquecemo-nos que existem mil e uma vidas à nossa volta. Passamos por alguém e nem notamos a sua presença. Apesar de vivermos numa sociedade acho que lá no fundo vivemos sozinhos. Fechamo-nos nos nossos problemas e tornamo-nos alheios aos outros grandes problemas que existem no mundo.

Mais tarde voltei á porta do supermercado mas o senhor já não lá estava. Será que ele já la tinha estado antes, outro dia, talvez até me abordado e eu nem tinha feito caso? Senti-me uma pouco arrogante nesse momento. Ás vezes estou tão embrenhada nos meus problemas que esqueço que há quem tenha piores. Acho que lá no fundo somos todos um pouco egoístas. Mas senti-me culpada e durante o resto do dia reparei em toda a gente por quem passei.

Fiquei surpreendida com a diversidade de pessoas que vemos todos os dias, todas as conversas que nos rodeiam, as mil e uma diferentes melodias de vozes, as mais diversas expressões e, o que mais me surpreendeu, a quantidade absurda de pessoas a pedir na rua, não só mendigos, mas também pessoas de associações que talvez precisem do dinheiro ou não, mas que de qualquer forma são ignoradas pela maioria dos cidadãos. e mais uma vez fiquei decepcionada com a humanidade. Porque apesar de vivermos todos juntos, caminhamos sozinhos, alheios aos outros que nos rodeiam.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Saudade de amar...


Hoje deambulei pela cidade um pouco. O frio que começa a chegar mais intenso do que nos últimos dias, os fracos raios de sol já mal conseguem aquecer, o vento que brinca com as folhas no passeio torna-se incómodo. Definitivamente, chegamos ao Outono.

Foi no meio da brisa fria que me percebi que não é só meu corpo que sente frio. Meu coração também o sente.

É muito tempo a fingir que sou feliz sozinha. Passei meses em relações vazias, rápidas e impessoais. Dizia que era feliz assim, sem compromissos, sem sentimentos, que gosto da liberdade e que gostar de alguém trás complicações que eu não estou disposta a me preocupar mas... hoje, mais do que nunca, percebo que é uma máscara que uso para não deixar transparecer meu verdadeiro coração. Eu não sou assim superficial e cada vez mais sinto a falta daquele conforto que uma vez tive.

Não me julgo nenhuma desesperada, não quero arranjar um namorado á força nem nada do género. Só sinto falta do companheirismo, do carinho e da segurança que se sente, acho que lá no fundo tenho saudades de me apaixonar e ser correspondida. Ao mesmo tempo fico petrificada com esse pensamento: apaixonar-se significa dar o poder de nos magoarem a alguém.

Se o passado não fosse tão doloroso, se não houvesse alguém que me tivesse magoado tanto, seria diferente? É uma pergunta que já ouvi tantos amigos fazerem e sei que não há resposta. E nunca me julguei a fazê-la. Sempre tive a certeza que eu era feliz assim, livre. Mas de que vale a liberdade se estamos sozinhos? Se não temos com quem partilha-la?

Ás vezes julgo que perdi a capacidade de amar. É estúpido mas é o que minha cabeça diz quando vejo quantas pessoas já passaram pela minha vida e nenhuma delas me cativou daquela maneira que faz nosso coração dar um pulinho, que faz nossos olhos brilharem e que faz borboletas surgirem no estômago. Nunca mais ninguém me fez sentir como se estivesse numa montanha russa.

O que estou a dizer até pode parecer lamechas, muito sentimentalista, mas é como me encontro hoje. não estou deprimida, estou pensativa, nostálgica. A verdade é que apesar de conseguir viver sem ele, o amor é um aspecto importante da minha vida e sinto falta dessa parte mais do que nunca. Eventualmente esta sensação vai passar e vou voltar ás relações superficiais mas neste momento tudo o que precisava era encontrar um porto seguro. Estou farta de ter meu coração à deriva no mar.

Amanhã tudo isto estará esquecido, amanha serei a mesma pessoa mas hoje, só hoje deixei-me levar pela saudade e recordei uma época em que eu era completa, em que na minha vida nada faltava.

Mas águas passadas não movem moinhos...

sábado, 1 de novembro de 2008

O Dia Quebra Meu Coração


Estou com um copo de vinho na mão. O sabor adocicado e amargo preenche-me a boca e desce suavemente pela garganta. Estou perdida entre memórias. Memórias de mim, de ti, de nós, do presente e do passado. E, a beber sozinha, percebo como tudo mudou em nove meses. Prometi a mim mesma que não ia dar importância a este sentimento que me consome como o fogo consome a madeira seca na lareira. Mas ás vezes, só as vezes, como agora, encontro-me a pensar em tudo o que vivemos e sinto saudade. De repente, preciso dos teus braços a me abraçar, preciso do teu beijo intenso, do teu olhar apaixonado, do teu sorriso alegre, da tua voz forte, até das birras impacientes. E assim do nada, fico pensativa. Pergunto-me porque o destino foi tão cruel e me arrancou dos teus braços tão depressa.

Mas fico em silêncio, deixando uma pequena lágrima inoportuna escorrer pela minha face, deixando um rasto negro de rímel pela minha pálida bochecha. Procuro me distrair, observo as minhas unhas encarnadas, brinco com o cigarro na minha mão. Observo as folhas das árvores á frente do apartamento roçarem umas nas outras numa dança sensual mas inocente. Meu olhar perde-se entre os edifícios da cidade que se continuam com o horizonte e sinto vontade de ver o mar, como naquela tarde em que disseste que me adoravas, sentado entre as rochas, tua voz tão carregada de desejo acompanhada pela melodia das ondas e meu coração aperta-se.

Deixo-me afundar no sofá negro e vejo o cigarro apagar-se lentamente no cinzeiro. Sei que em pouco tempo voltarei para perto de ti mas também sei que a distância que nos separa já não é apenas física. Apesar da minha concha fria e indiferente, estás aqui dentro, tua presença continua tão significativa quanto naqueles tempos. Mas sei que vou passar por ti, vou sorrir, virar as costas e continuar meu caminho, e embora meus lábios sorriam, meus olhos não chorem, meu coração estará feito em farrapos. E apesar de meu corpo estar colado contra outra pessoa e meus lábios beijarem outros lábios que não os teus, minha alma pertence-te eternamente.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

To you my friend...


Parece que foi ainda ontem que te conheci. Eu uma pita com manias que sabia tudo e tu uma pita maluca com manias de bêbeda.
Já passamos por tanto juntas, já vivemos tanto, já crescemos tanto. O que já sofremos depois daquele dia no bar do liceu, o que já dissemos, fizemos, sorrimos, choramos juntas e separadas. Tantas pessoas conhecemos e esquecemos depois disso. Tantos amores passaram, tantas amizades fizemos e desfizemos. Quantas lágrimas já derramamos, quantos sorrisos já forçamos, quantas gargalhadas já demos, quantas piadas já contamos.
E de repente, aquelas duas meninas cresceram e de meninas só têm as tontices que fazem quando se juntam. Agora não somos mais adolescentes. Somos quase adultas. Em tão pouco tempo sinto que crescemos tanto, aprendemos muito, sofremos demais e sobrevivemos. Depois de tudo, depois das mágoas, das desilusões, das derrotas e depressões, é tão bom saber que há uma constante em nossas vidas, uma amizade que a muito resistiu. É reconfortante voltar para casa e saber que apesar da distância, nada nos separou. Porque uma amizade como a nossa, o oceano não afunda, a distancia não afasta, os homens não quebram, as falsidades dos outros não atingem e as bebedeiras não desgraçam. É por tudo o que vivemos e sobrevivemos, por tudo o que dissemos e calamos e por tudo o que ainda vamos passar juntas que digo que és uma pessoa grande de coração, maravilhosa de alma e uma das melhores amigas que podia ter.
PS. Um amigo é aquele que fica quando o resto vai embora!

A ti Joana que ja fazes grande parte da minha vida...obrigada por tudo.

O lado Obscuro


É impressionante como a crueldade humana consegue destruir até o coração mais forte. Deixa-me profundamente frustrada a maneira como as pessoas são más pelo prazer de o serem. Fico absolutamente desiludida por encontrar na humanidade tais acções. Não consigo perceber como é que alguém pode ser completamente escorraçado de um meio social simplesmente porque é diferente ou porque tem ideias fixas, porque é honesto demais ou porque é optimista demais. Parece que o mundo não se conforma com a paz. É como se dentro das pessoas existisse uma necessidade de destruir tudo o que é bom, tudo o que é puro e pacífico.
Sinto-me desanimada por ver isto no meu dia-a-dia, por encontrar pessoas que um dia foram fortes, completamente derrotadas porque o mundo achou que elas eram felizes demais. Como é que as pessoas conseguem ser sujas a esse ponto?
O que ainda mais me deprime é saber que neste lugar ou somos os escorraçados ou somos os ditadores. Quem tenta não escolher posição sofre talvez ainda mais e por mais puro que seja acaba contaminado por esta podridão: ou torna sua alma negra ou ela é destruída.
Infelizmente essa realidade chegou até mim da maneira mais brutal. Ver durante meses as pessoas á minha volta virarem-se umas contra as outras, umas a atacarem os inocentes, outros a tentarem se manter em pé quando todos os tentavam deitar abaixo. Fiquei no meio durante muito tempo, tentando encontrar um equilíbrio nesta guerra entre a luz e a sombra e acabei por sucumbir. Por breves momentos deixei que corrompessem minha alma, que me levassem para o lado negro deste jogo cruel, por breves momentos quase destrui pessoas que um dia me deram a mão. Mas… a vida decidiu me dar uma lição!
Um dia, a vida derrotou-me e deixou-me fraca e do lado negro a fraqueza também é vista como um crime, tal como a felicidade, a ingenuidade e a inocência. E, fraca que estava, fui corrida a pontapé por pessoas que julgava serem minhas amigas.
Fechei-me, isolei-me, destrui-me… fiquei um farrapo humano, tal como eles queriam. Mas renasci das cinzas e todos os dias luto para afastar-me deste mundo. Mas infelizmente esta guerra fria continua a fazer vítimas e mesmo aqueles que um dia eu julguei que nunca fossem perder o sorriso, hoje confessam-me estarem perdidos, sozinhos, destroçados.
Quando falam em guerras, pensa-se em soldados, batalhas, armas, bombas e esquecemo-nos as pequenas grandes batalhas que se travam entre nós, lutas pela paz e pela sobrevivência. As verdadeiras grandes guerras ocorrem todos os dias. São batalhas contra o preconceito, contra a exclusão social, contra a mesquinhice e a crueldade do homem, contra a pobreza, contra a fome, contra a própria Natureza Humana, porque apesar se nos considerarmos animais racionais, entre nós habita o instinto animal da “Sobrevivência do Mais Forte” e esquecemo-nos que os fracos têm direito a viver tanto quanto os outros e dentro de cada fraco existe talvez mais força do que qualquer Forte possa imaginar, existe a força da Paz.

The real problem is in the hearts and minds of men. It is easier to denature plutonium than to denature the evil spirit of man. Albert Einstein

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Escrevo...


Não escrevo este blog para ter muitos comentários...
Tembém não o escrevo porque gosto de exibir os detalhes da minha vida...
Nem tanto farei dele um diário...
Escrevo o blog para expor as minhas ideias, mesmo que ninguém as leia...
Escrevo para dar corpo aos meus devaneios, para juntar os fragmentos dos meus pensamentos, escrevo para dar uma realidade ás minhas dúvidas... Não considero um blog de reflexão sobre a existencia humana ou divina, embora também toque nesse assunto... Nem será tão pouco uma narrativa deprimente sobre os aspectos maus da vida, embora considere que a vida tem muitos lados negros também vejo muita coisa fantástica neste mundo... Não me considero filósofa, me, poetisa, não acho que saiba muito da vida, ou que tenha vastos conhecimentos de ciência, literatura e demais, na verdade quando mais sei, mais consicencia tenho da minha vasta ignorância... E depois desta lenga-lenga toda sobre porque fiz este blog a maioria dos que por uum acaso tenham começado a ler esta primeira entrada ja desistiram. Os que por acaso consideraram minhas palavras de alguma maneira interessantes, bem, não era essa a intenção, mas obrigada na mesma. "O coração, se pudesse pensar, pararia." Fernando Pessoa in O Livro do Desassossego