sábado, 1 de novembro de 2008

O Dia Quebra Meu Coração


Estou com um copo de vinho na mão. O sabor adocicado e amargo preenche-me a boca e desce suavemente pela garganta. Estou perdida entre memórias. Memórias de mim, de ti, de nós, do presente e do passado. E, a beber sozinha, percebo como tudo mudou em nove meses. Prometi a mim mesma que não ia dar importância a este sentimento que me consome como o fogo consome a madeira seca na lareira. Mas ás vezes, só as vezes, como agora, encontro-me a pensar em tudo o que vivemos e sinto saudade. De repente, preciso dos teus braços a me abraçar, preciso do teu beijo intenso, do teu olhar apaixonado, do teu sorriso alegre, da tua voz forte, até das birras impacientes. E assim do nada, fico pensativa. Pergunto-me porque o destino foi tão cruel e me arrancou dos teus braços tão depressa.

Mas fico em silêncio, deixando uma pequena lágrima inoportuna escorrer pela minha face, deixando um rasto negro de rímel pela minha pálida bochecha. Procuro me distrair, observo as minhas unhas encarnadas, brinco com o cigarro na minha mão. Observo as folhas das árvores á frente do apartamento roçarem umas nas outras numa dança sensual mas inocente. Meu olhar perde-se entre os edifícios da cidade que se continuam com o horizonte e sinto vontade de ver o mar, como naquela tarde em que disseste que me adoravas, sentado entre as rochas, tua voz tão carregada de desejo acompanhada pela melodia das ondas e meu coração aperta-se.

Deixo-me afundar no sofá negro e vejo o cigarro apagar-se lentamente no cinzeiro. Sei que em pouco tempo voltarei para perto de ti mas também sei que a distância que nos separa já não é apenas física. Apesar da minha concha fria e indiferente, estás aqui dentro, tua presença continua tão significativa quanto naqueles tempos. Mas sei que vou passar por ti, vou sorrir, virar as costas e continuar meu caminho, e embora meus lábios sorriam, meus olhos não chorem, meu coração estará feito em farrapos. E apesar de meu corpo estar colado contra outra pessoa e meus lábios beijarem outros lábios que não os teus, minha alma pertence-te eternamente.

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