quinta-feira, 1 de julho de 2010

Os caminhos da saudade...(3)



Ás vezes, ao acordar, ainda de olhos fechados, percorre-me a esperança de abrir os olhos e ver-te deitado ao meu lado, a dormir pacificamente. Quantas vezes meu coração já se partiu ao abrir os olhos e ver que não estavas lá. Uma angústia toma conta de mim e tenho que puxar de todas as minhas forças para não chorar. Mais um dia sem ti, mais vinte e quatro horas sem a tua presença. E no entanto, ainda te sinto aqui como se nunca tivesses saído do meu lado. Por vezes parece-me que oiço a tua voz, ou o teu riso de garoto travesso, outras sinto teu cheiro. Fecho os olhos e consigo imaginar-te comigo, os teus braços a me envolverem naquele abraço perfeito que só recebo de ti e quase, sempre só quase, sinto a tua mão tocar a minha.

É dolorosa a certeza que de ti, agora, já só tenho memórias, por vezes reconfortantes, outras tão amargas, como dizem os ingleses: bitter sweet memories!

Sofro sim, mas se pudesse voltar no tempo não mudaria nada nos momentos que tivemos, não mudaria um toque, nem uma palavra nem um olhar.

Não sei se alguma vez pensas em mim, se recordas todos os olhares, gestos e suspiros que dei na última vez que estiveste comigo, se recordas as palavras que te disse docemente ao ouvido mas eu faço-o todos os segundos sem conseguir controlar. Sei que para te esquecer deveria não recordar-te, mas não sei se te quero esquecer. Há muito tempo não crescia o que cresci contigo, nem sonhava tão alto. As lições que me ensinaste são preciosas, assim como tu és precioso no meu coração e na minha vida mesmo que tenhas decidido sair dela.

Ainda espero por ti, que me dês uma palavra, um sinal porque quem espera por amor não cansa. E eu sinto que podia esperar por ti o resto da minha vida. Por isso fico aqui nesta cidade, longe de casa, vivendo o dia a dia sem a tua presença física mas carregando-te no coração para onde quer que vá, deixando um pouco deste meu amor por ti em tudo o que faço. Já não sei viver sem ti, mesmo que só em memórias. Quando esntraste na minha vida, há já quase vinte anos atrás, sabia que serias importante para mim, mesmo na minha inocência infantil sabia que tu eras especial. E assim entraste no meu mundo para sempre e tornaste-te o meu mundo, mesmo que não queiras partilhar o teu comigo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Os caminhos da saudade...(2)




O que foi que aconteceu connosco? Naquele fim-de-semana que fui ter contigo depois de te encontrar em Lisboa, ia cheia de esperanças, cheia de sonhos e promessas e ainda hoje não percebo o que aconteceu ao certo.

Na semana antes, voltei a me sentir completa, feliz, como se finalmente o rumo da minha vida estivesse certo. Voltei a apaixonar-me por ti como da primeira vez, com toda a ingenuidade, inocência e alegria de um primeiro amor. Prla primeira vez há muito tempo sentia-me livre, não haviam barreiras, nem auto-defesas, não haviam dores nem memórias do passado que me impedissem de andar em frente. Era só eu, tu e nós. Quando te vi a caminhares ao meu encontro tive vontade de largar a mala e correr para os teus braços como nos filmes, mas contive-me. Foi o meu primeiro sinal de contenção em uma semana. Quando me beijaste a minha alma elevou-se a altitudes que ela nunca tinha alcançado antes com ninguém sem ser contigo.

E depois, de repente todo esse esplendor assustou-me e fechei-me na minha carapaça de diamante qual tartaruga ameaçada. Tive medo por mim, de ti e de nós. Era tudo tão novo, não era como das outras vezes, e acordava dentro de mim alguém que eu julgava morto, a pessoa doce e indefesa que fui em tempos voltava a renascer das cinzas com toda a força mas também com todas as suas fraquezas. Por isso fugi, refugiei-me dentro da minha carapaça... e tu deixaste-te estar. Tu que sempre foste o meu diamante, capaz de partir a minha carapaça, o único a saber a porta de entrada para o meu refúgio, aquele que conseguia fazer frente ás minhas tropas e ultrapassar as minhas muralhas, não fizeste nada disso. E eu fechei-me ainda mais porque o "tu" que eu conhecia sempre foi um lutador, um cavaleiro que tentava sempre conquistar o meu castelo. O "tu" que eu conhecia não se deixava ficar... mas desta vez esse "tu" já não fazia parte de ti, também tinhas mudado. E em vez de de tentarmos, em vez de lutarmos, em vez d caminharmos novamente na direcção um do outro, simplesmente deixaste-te ficar e eu escondi-me. Não me procuraste.

Por isso ainda hoje pergunto-me: o que nos aconteceu? Quando foi que o eu e tu deixou de ser o nós?

E quando te deixei, quando te dei o beijo da despedida e disse adeus... e apesar de ainda estar escondida na minha carapaça de diamante que nada risca nem quebra, o amor que sentia ficou, ele não disse adeus, ele não acreditou que aquele momento era o fim... ele nunca acreditou que eu e tu tivessemos um fim... e sabes que mais? Acho que ainda hoje ele espera, como uma eterna amante, sentada no jardim á espera de ver o amado voltar da guerra, regressar a casa, ele espera o dia em que o que não aconteceu aconteça e o que aconteceu tenha explicação...

Ás vezes sinto que a gravidade está contra nós, como se por mais que tentassemos ficar juntos há sempre algo que nos afasta, sejamos nós ou a vida...

Por isso diz-me o que foi de mim e de ti... o que foi de nós?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Os caminhos da saudade...(1)

Está um dia cinzento. Estou sentada á beira do Tejo, em pleno PArque das nações. Não sei porque escrevo, talvez porque sinto vontade de escrever mas não sei bem o quê. A minha alma é um turbilhão de memórias. Estou próxima do local onde nos beijamos na última vez que te encontrei em Lisboa. Naquele dia, vim ter contigo convencida (com alguma dificuldade) que era só um encontro de amigos, tinha que acreditar nisso, afinal fazia tanto tempo desde a última vez que te tinha visto...

Quando te vi, o meu coração não saltou tanto quanto esperava, as minhas mãos não suaram e as minhas pernas não estemeceram, o chão não me faltou debaixo dos pés e sentia-me flutuar como antes acontecia sempre que te tinha por perto. Nesse momento pensei que finalmente conseguia encarar a realidade e que tinha aceite que tu e eu eramos e seriamos apenas bons amigos de longa data.

Era quase noite, apenas os últimos raios do sol iluminavam o nosso caminho e o rio ao nosso lado era colorido por tons quentes. conversamos durante horas. Fazia tanto tempo que não nos sentavamos a conversar, havia tanta coisa que eu queria saber de ti e da tua vida e muitas outras que te queria contar da minha. E depois de três coca-colas e muitas gargalhadas, decidimos caminhar juntos á beira do rio. E aí as palavras calaram, e naquele momento de silêncio, olhei-te nos olhos e neles vi promessas que julguei nunca mais ver. Olhaste-me como se me visses a alma e mergulhasses-lhe dentro. Foi nesse segundo que o meu coração saltou, as mãos suaram e tive que me encostar a ti porque perdi as forças nas pernas, o chão parecia ter-se dissolvido. Colocaste o teu braço em torno dos meus ombros e apertaste-me contra ti. Pela primeira vez em muitos anos senti que estava no lugar certo e que finalmente o meu mundo deixara o caos, como se tivesse andado á deriva durante anos e naquele momento avistasse terra.

Não sei te explicar a sensação de paz que senti ao teu lado, a tranquilidade e segurançça que se apoderou de mim. Como se o mundo fosse um lugar perfeito e nele só existisse eu e tu.
Andamos mais um pouco, assim abraçados, até que paraste e voltaste a mergulhar nos meus olhos.

"Tive saudades tuas..." murmuraste antes de me puxares contra o teu corpo e apertares-me com força como se me quisesses colar a ti para nunca mais me perderes. E eu queria ficar assim para sempre e também não queria que me perdesses porque eu sem ti não sou eu, sou só um meio eu.

Por mim ficavamos naquele lugar para a eternidade, mas a noite chegou e tivemos que dizer adeus. O retorno a casa foi doce e amargo. Doce pelas lembranças, pelo facto de te ter reencontrado e de perceber que o que existe entre nós vai além do tempo e da distância, amargo porque de repente as dúvidas assaltaram-me. Já tantas vezes isto acontecera, encontrar-te... sentir-me voar e de repente as asas cairem-me e tu saires da minha vida... Sérá que era isso que ia acontecer de novo? Estaria eu destinada a perder-te todas as vezes que te encontrava?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Palavras soltas do meu coração...


Sei que se não lhe tivesse dito, se não tivesse ido ter com ele, se não tivesse tentado tudo e dado tudo de mim e do meu coração, hoje em dia ainda estava a pensar: “e se?” agora estou mais: “vai passar, custa mas passa, estás de consciência tranquila porque tentaste e não deu, a culpa não foi tua, simplesmente não estava destinado!”


E desta história tirei duas lições muito importantes: a primeira é que podes tirar uma lição importante de tudo o que te acontece, que nada acontece por acaso e que é quando se perde que se aprende as lições mais valiosas, a segunda foi que ele mostrou-me que é mais difícil esquecer alguém se andares a pensar no: "e se?" do que se fores lá, tentares e levares com a cara na porta e acredita que magoa mais andar no "e se?" do que realmente levar com a porta na cara. Para a próxima talvez não arrisque logo, talvez continue a deixar o pé atrás durante algum tempo mas já sei que se não arriscar vai custar mais ainda continuar a viver. E quem sabe se não é dessa que acerto?


Não vou mentir, de vez em quando ainda procuro saber notícias dele, ouvir falar dele mas já não magoa tanto, sei que ainda gosto dele mas já aceitei que acabou. Ele já não faz parte da minha vida simplesmente faz parte do meu coração e quando falo em vida falo da vida diária, já não está no meu quotidiano, cada vez menos está na minha cabeça e sei que não será tão cedo mas vai acabar por sair do meu coração. E também sei que parte do meu coração vai ir embora com ele... um coração nunca fica igual depois de uma paixão, fica ligeiramente mais pequeno, mais sensível, mas continua a bater e ainda tem espaço suficiente para se apaixonar de novo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Não sei porque custa tanto...


Não sei porque me custa tanto, porque é difícil respirar na certeza que nunca serás meu, como se o mundo fosse um local mais podre sem ti ao meu lado, como se o próprio ar fosse tóxico quando não está impregnado com o teu perfume.
O que mais me chateia é que não te posso culpar de nada, não tenho nenhum bode expiatório. A culpa dos meus sentimentos é única e exclusivamente minha. Não me disseste doces mentiras, não me deste falsos sorrisos, nem teus beijos eram carregados de promessas, tuas carícias não traziam significados outros senão tudo aquilo que elas me faziam sentir e no entanto apaixonei-me por tudo isso, pela verdade nua e crua e com a certeza que o meu amor jamais seria correspondido. Gosto da tua maneira sincera, exposta, descarada com todos os defeitos e qualidades que tens para mostrar. És o primeiro homem que gosto que tem os defeitos todos chapados na cara. Apaixonei-me pelo desejo que sempre demonstraste pelo meu corpo, pela maneira como me abraçaste com a certeza que aquela noite era só nossa, eu era só tua e tu eras só meu. Apaixonei-me pelo menino que ainda vive dentro do corpo de homem, pela doçura que sei que consegues ter, embora nunca a tenhas dirigido a mim. E pela humildade que revelas apesar de muitos na tua situação já se terem perdido nos caminhos da arrogância. Apaixonei-me pelos sorrisos e gargalhadas, apaixonei-me pela maneira como implicas comigo e pela maneira como a tua mão descansou na minha cintura quando estivemos juntos, com o polegar a fazer círculos na minha pele por cima do tecido. Apaixonei-me pelo teu toque e pelos teus beijos sedentos. E depois de tudo, ainda me apaixonei pela tua insegurança escondida, aquela que sem queres demonstraste em momentos de fraqueza. Apaixonei-me também pelo ciúme que tiveste, mais por medo de ferir o orgulho do que propriamente por mim, mas por doces momentos deixei-me acreditar que eram ciúmes de veres outro homem a falar comigo. Apaixonei-me pela voz com que me chamaste de namorada, embora fosse só a brincar. Apaixonei-me pela maneira que adormeceste abraçado a mim, com o teu corpo quente encostado ao meu. Apaixonei-me por ti por olhares para mim e não veres os meus defeitos, e se os viste, beijaste-os a todos como se fossem perfeições. Apaixonei-me por teres conseguido dar rumo á tua vida quando muitos no teu lugar teriam desistido, apaixonei-me pelo carinho e dedicação que tens pela família e pelos amigos e apaixonei-me pela maneira como nunca desististe de correr atrás do teu sonho.
E queria que tudo o que me faz desapaixonar fosse superior ao que me fez apaixonar mas não é. Desapaixonei-me pela maneira como sei que nunca te consegues prender a ninguém e te entregas ao prazer puramente carnal. Desapaixonei-me pela mentira, e pelos segredos. Desapaixonei-me pela maneira como tentas sempre esconder a verdadeira pessoa que és por dentro, desapaixonei-me pelas palavras que trocas com teus amigos e por certas frases absolutamente ordinárias que algumas vezes saem sem pensar(julgo eu!). Mas mesmo agora, tentando lembrar-me o que me desapaixona em ti, o que sinto é forte demais, cega-me, desfoca as minhas razões para me desapaixonar… E mesmo depois de tudo…depois da dor, da desilusão… meu coração ainda corre para as tuas mãos mesmo com a certeza que só o vais atirar para o lixo ou espezinha-lo como o tens feito… mas apesar de tudo…amo-te!


terça-feira, 2 de março de 2010

A caixa de Pandora


“Às vezes acho que são as palavras que se viram contra mim, exactamente nos momentos cruciais, aqueles em que elas, palavras, me poderiam valer. Talvez as use com excessiva facilidade e as gaste com toda a minha pretensa eloquência. Ou talvez elas não representem quase nada, nem sequer o significado que lhes damos. O que contam são os actos – esse sim, falam mais alto – e o que se ousou dizer, o que se guarda no peito durante dias, semanas ou anos, como um tesouro precioso e clandestino que perde o encanto e o valor se for revelado ou descoberto.
Mas é mais forte do que eu. Há anos que me sento em frente a um ecrã branco e preencho-o de caracteres pretos, criando a ilusão de que desta forma encho os meus dias e dou uma ajuda a mais algumas pessoas, os meus leitores, que naquilo que lhes escrevo, encontram as respostas e soluções para tristezas e enigmas que o meu conhecimento não alcança.
O meu apego às palavras é tão grande que são elas o princípio, o meio e o fim da minha existência, a única forma que alcanço para me relacionar com os outros e com o mundo. E também comigo, quando falo sozinha com os meus botões e procuro respostas e explicações para tudo.
E depois, depois há as palavras dos outros. As de todos os escritores cujos livros conversam comigo na minha casa, que vou descobrindo nas minhas viagens. Histórias perfeitas e parágrafos sublimes que vou coleccionando com o prazer e a culpa de quem se apropria de tesouros alheios. E quando as palavras que os outros escrevem dizem o que sinto, sinto-as como minhas e registo-as num caderno, no telemóvel, num guardanapo de papel, para mais tarde as oferecer a alguém. Aforismos, diálogos, monólogos, descrições de uma personagem, de uma casa, de um lugar. Frases soltas, reflexões, princípios filosóficos, abreviaturas, nomes, alcunhas, diminutivos, expressões idiomáticas, provérbios e ditados populares, tudo serve para me entender melhor com a realidade.
Mas talvez não seja assim. Talvez tenha escolhido o caminho oposto para alcançar o entendimento. Quanto mais penso, me organizo e me respondo, mais dúvidas tenho e menos satisfeita me sinto. A pouco e pouco, comecei a perceber que não há respostas para tudo. E as poucas que existem, ou são erradas ou são absurdas.
E é então que baixo os braços, entrego as armas e desisto a favor do silêncio, que é tudo o que me resta. Mas o silêncio nunca traz respostas. Instala-se como um tirano que ocupa todas as casas e jardins do mundo, que manda prender e torturar todos os que falam, que se esconde atrás da indiferença, do desinteresse, do vazio, da distância, tentando convencer-me de que é melhor assim, como se as palavras vivessem todas na caixa de Pandora e fosse um crime para a humanidade abri-la e deixá-la respirar.
Um dia destes faço um furo na caixa, daqueles invisíveis, tipo formiga branca, e começo a ver as palavras a sair numa coluna de fumo, uma a uma, quase sem se dar por isso. Pode ser que, então, finalmente, saiam as palavras certas, poucas, sempre poucas, as suficientes, porém, para te fazer voltar ao mundo em que éramos quase sempre felizes, com ou sem elas.”



Margarida Rebelo Pinto - Vou Contar-te Um Segredo

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Esquecer as regras de "ser adulta"...


Esta manhã dei por mim a relembrar a minha infância. Aqueles doces momentos de inocência. Lembrei-me da pequena praça onde eu e os vizinhos nos reuníamos para jogar futebol, fazer corridas ou jogar com o peão e os berlindes. Lembro-me de subir árvores para apanhar laranjas, castanhas, ameixas...de andar á caça de insectos e passar horas a olhar para a vida "agitada" das aranhas, de correr pela relva descalça, de brincar na terra até estar tão suja que parecia um monstro da lama.


Enquanto as outras raparigas brincavam com as bonecas e vestiam e calçavam as coisas das mães, eu nem ligava a tais ftilidades e era uma autêntica Maria-Rapaz.


Sinto saudades desses tempos em que ignorava as regras que hoje em dia obedeço cegamente. Não me preocupava se estava bem vestida quando ia cme encontrar com as aranhas, ou se comia delicadamente as laranjas e castanhas, nem queria saber se o meu cabelo estava bem penteado para ir jogar futebol com os rapazes. Muito menos me importava se me achavam bonita. Para mim eu era um deles, embora as diferenças fossem obvias. Não era tão forte nem tão resistente, mas era mais ágil e mais rápida.


Lembro-me dos sermões tedioso da minha mãe sobre como uma menina se devia comportar mas era como se ela falasse par auma parede. Nãoo via a lógica em ser menina, era tão mais divertido ser "menino". Enquanto me presenteavam com Barbies e Nenucos, eu corria a tirar a bola de futebol do meu pai ou os carros do meu irmão e ia me juntar aos meus amigos.


Por vezes queria voltar a esses momentos, onde nada mais importava. Onde o pior tormento era perder o jogo, a corrida ou não conseguir que o peão girasse tanto quanto os outos. Queria voltar a sentir a liberdade, poder descalçar e correr como uma gazela entre as árvores e a relva. Queria poder voltar a me atirar para a lama e rebolar como se fosse o melhor lugar no mundo para se estar. Queria esquecer as regras de "ser mulher" e voltar a ser uma menina-rapaz. Queria voltar á ingenuidade e á inocência... queria poder ser livre!!