Há muito tempo que percebi que até as pessoas que sempre estiveram connosco vão embora, mesmo que lutemos para que isso não aconteça. Simplesmente acontece, embora magoe. E magoa muito.
É horrível a perda de alguém que vai embora deste mundo. Saber que não a veremos mais, pelo menos não nesta vida, muitas vezes sem conseguirmos sequer dizer adeus ou sequer que gostávamos dela.
Mas sabemos que isso iria acontecer, a morte faz parte da vida e sabemos que é algo que um dia chegará a todos nós. Por isso aceito-a e consigo lidar com ela.
Para mim a pior maneira de perder alguém é quando eles vão embora e mesmo assim não saíram completamente da nossa vida. E não falo apenas de amores perdidos, esse também os conto como certos, os amores vão e vêm. O que mais custa é perder um amigo. Os amigos para mim deveriam ser para sempre. Dou grande valor á amizade. Sou alguém que dificilmente confia nas pessoas, mas também tenho um conceito de confiança um tanto estranho. Para mim confiar numa pessoa não é contar-lhe os meus segredos e esperar que não os revelem, eu só revelo o que quero até com quem tenho confiança, para mim dar confiança e poder pôr-me de costas e ter a certeza que não me vão apunhalar ou ir embora só porque não os estou a ver, para mim confiança e poder fechar os olhos e saber que tenho alguém que me guie. Esse tipo de confiança muito dificilmente dou. São poucas as pessoas que confio e quando uma delas vai embora é como se levasse um pouco de mim.
Houve alguém que levou muito de mim quando foi embora. E foi embora por uma razão que eu jamais esperei. Foi embora por uma razão que ele não teria se não o tivesse ajudado. Senti que era injusto, que a vida era injusta. Depois de todos os momentos que vivemos, de todas as lágrimas que ele me viu derramar (talvez das poucas pessoas que pode dizer ter me visto chorar), de todos os sarilhos que eu o safei, de todos os segredos que guardei e revelei, depois de todas as provas que ultrapassamos pela nossa amizade, todos os rumores e boatos que enfrentamos, todas as pessoas que tentaram destruir o que tínhamos, o que eu mais lutei para que ele conseguisse foi exactamente o que nos separou.
E hoje sinto a falta desse amigo, sinto a falta da cumplicidade e da segurança de que ele estava ali sempre, tenho saudades das gargalhadas e das parvoíces, tenho saudades da inocência dos nossos actos até mesmo quando outros viam malícia, tenho saudades de ser transparente aos olhos de um amigo. Mas o sempre não existe e até aqueles que consideramos eternos vão embora. Mas dói saber que estamos tão perto e no entanto tão longe. Mas, já não me sinto triste porque o perdi, sinto-me feliz pelo que vivi com ele e por tudo o que aprendemos um com o outro.
Aceitar que tudo na vida um dia vai embora é uma lição importante que nos permite tornar mais fortes e mais conscientes que temos que aproveitar o que temos hoje e esquecer o que vem amanhã. Agradecer por todos os amigos que hoje temos que amanha poderão não estar e fazer de tudo para mostrar-lhes o quão felizes estamos por os ter. E aos que já não posso dizer tudo isto, fica o desejo que sejam felizes.
Por isso agradeço aos meus amigos velhos e novos, aos que ainda virão pela amizade e aos que já foram pela amizade.
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