quarta-feira, 30 de junho de 2010

Os caminhos da saudade...(2)




O que foi que aconteceu connosco? Naquele fim-de-semana que fui ter contigo depois de te encontrar em Lisboa, ia cheia de esperanças, cheia de sonhos e promessas e ainda hoje não percebo o que aconteceu ao certo.

Na semana antes, voltei a me sentir completa, feliz, como se finalmente o rumo da minha vida estivesse certo. Voltei a apaixonar-me por ti como da primeira vez, com toda a ingenuidade, inocência e alegria de um primeiro amor. Prla primeira vez há muito tempo sentia-me livre, não haviam barreiras, nem auto-defesas, não haviam dores nem memórias do passado que me impedissem de andar em frente. Era só eu, tu e nós. Quando te vi a caminhares ao meu encontro tive vontade de largar a mala e correr para os teus braços como nos filmes, mas contive-me. Foi o meu primeiro sinal de contenção em uma semana. Quando me beijaste a minha alma elevou-se a altitudes que ela nunca tinha alcançado antes com ninguém sem ser contigo.

E depois, de repente todo esse esplendor assustou-me e fechei-me na minha carapaça de diamante qual tartaruga ameaçada. Tive medo por mim, de ti e de nós. Era tudo tão novo, não era como das outras vezes, e acordava dentro de mim alguém que eu julgava morto, a pessoa doce e indefesa que fui em tempos voltava a renascer das cinzas com toda a força mas também com todas as suas fraquezas. Por isso fugi, refugiei-me dentro da minha carapaça... e tu deixaste-te estar. Tu que sempre foste o meu diamante, capaz de partir a minha carapaça, o único a saber a porta de entrada para o meu refúgio, aquele que conseguia fazer frente ás minhas tropas e ultrapassar as minhas muralhas, não fizeste nada disso. E eu fechei-me ainda mais porque o "tu" que eu conhecia sempre foi um lutador, um cavaleiro que tentava sempre conquistar o meu castelo. O "tu" que eu conhecia não se deixava ficar... mas desta vez esse "tu" já não fazia parte de ti, também tinhas mudado. E em vez de de tentarmos, em vez de lutarmos, em vez d caminharmos novamente na direcção um do outro, simplesmente deixaste-te ficar e eu escondi-me. Não me procuraste.

Por isso ainda hoje pergunto-me: o que nos aconteceu? Quando foi que o eu e tu deixou de ser o nós?

E quando te deixei, quando te dei o beijo da despedida e disse adeus... e apesar de ainda estar escondida na minha carapaça de diamante que nada risca nem quebra, o amor que sentia ficou, ele não disse adeus, ele não acreditou que aquele momento era o fim... ele nunca acreditou que eu e tu tivessemos um fim... e sabes que mais? Acho que ainda hoje ele espera, como uma eterna amante, sentada no jardim á espera de ver o amado voltar da guerra, regressar a casa, ele espera o dia em que o que não aconteceu aconteça e o que aconteceu tenha explicação...

Ás vezes sinto que a gravidade está contra nós, como se por mais que tentassemos ficar juntos há sempre algo que nos afasta, sejamos nós ou a vida...

Por isso diz-me o que foi de mim e de ti... o que foi de nós?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Os caminhos da saudade...(1)

Está um dia cinzento. Estou sentada á beira do Tejo, em pleno PArque das nações. Não sei porque escrevo, talvez porque sinto vontade de escrever mas não sei bem o quê. A minha alma é um turbilhão de memórias. Estou próxima do local onde nos beijamos na última vez que te encontrei em Lisboa. Naquele dia, vim ter contigo convencida (com alguma dificuldade) que era só um encontro de amigos, tinha que acreditar nisso, afinal fazia tanto tempo desde a última vez que te tinha visto...

Quando te vi, o meu coração não saltou tanto quanto esperava, as minhas mãos não suaram e as minhas pernas não estemeceram, o chão não me faltou debaixo dos pés e sentia-me flutuar como antes acontecia sempre que te tinha por perto. Nesse momento pensei que finalmente conseguia encarar a realidade e que tinha aceite que tu e eu eramos e seriamos apenas bons amigos de longa data.

Era quase noite, apenas os últimos raios do sol iluminavam o nosso caminho e o rio ao nosso lado era colorido por tons quentes. conversamos durante horas. Fazia tanto tempo que não nos sentavamos a conversar, havia tanta coisa que eu queria saber de ti e da tua vida e muitas outras que te queria contar da minha. E depois de três coca-colas e muitas gargalhadas, decidimos caminhar juntos á beira do rio. E aí as palavras calaram, e naquele momento de silêncio, olhei-te nos olhos e neles vi promessas que julguei nunca mais ver. Olhaste-me como se me visses a alma e mergulhasses-lhe dentro. Foi nesse segundo que o meu coração saltou, as mãos suaram e tive que me encostar a ti porque perdi as forças nas pernas, o chão parecia ter-se dissolvido. Colocaste o teu braço em torno dos meus ombros e apertaste-me contra ti. Pela primeira vez em muitos anos senti que estava no lugar certo e que finalmente o meu mundo deixara o caos, como se tivesse andado á deriva durante anos e naquele momento avistasse terra.

Não sei te explicar a sensação de paz que senti ao teu lado, a tranquilidade e segurançça que se apoderou de mim. Como se o mundo fosse um lugar perfeito e nele só existisse eu e tu.
Andamos mais um pouco, assim abraçados, até que paraste e voltaste a mergulhar nos meus olhos.

"Tive saudades tuas..." murmuraste antes de me puxares contra o teu corpo e apertares-me com força como se me quisesses colar a ti para nunca mais me perderes. E eu queria ficar assim para sempre e também não queria que me perdesses porque eu sem ti não sou eu, sou só um meio eu.

Por mim ficavamos naquele lugar para a eternidade, mas a noite chegou e tivemos que dizer adeus. O retorno a casa foi doce e amargo. Doce pelas lembranças, pelo facto de te ter reencontrado e de perceber que o que existe entre nós vai além do tempo e da distância, amargo porque de repente as dúvidas assaltaram-me. Já tantas vezes isto acontecera, encontrar-te... sentir-me voar e de repente as asas cairem-me e tu saires da minha vida... Sérá que era isso que ia acontecer de novo? Estaria eu destinada a perder-te todas as vezes que te encontrava?