quarta-feira, 10 de março de 2010

Não sei porque custa tanto...


Não sei porque me custa tanto, porque é difícil respirar na certeza que nunca serás meu, como se o mundo fosse um local mais podre sem ti ao meu lado, como se o próprio ar fosse tóxico quando não está impregnado com o teu perfume.
O que mais me chateia é que não te posso culpar de nada, não tenho nenhum bode expiatório. A culpa dos meus sentimentos é única e exclusivamente minha. Não me disseste doces mentiras, não me deste falsos sorrisos, nem teus beijos eram carregados de promessas, tuas carícias não traziam significados outros senão tudo aquilo que elas me faziam sentir e no entanto apaixonei-me por tudo isso, pela verdade nua e crua e com a certeza que o meu amor jamais seria correspondido. Gosto da tua maneira sincera, exposta, descarada com todos os defeitos e qualidades que tens para mostrar. És o primeiro homem que gosto que tem os defeitos todos chapados na cara. Apaixonei-me pelo desejo que sempre demonstraste pelo meu corpo, pela maneira como me abraçaste com a certeza que aquela noite era só nossa, eu era só tua e tu eras só meu. Apaixonei-me pelo menino que ainda vive dentro do corpo de homem, pela doçura que sei que consegues ter, embora nunca a tenhas dirigido a mim. E pela humildade que revelas apesar de muitos na tua situação já se terem perdido nos caminhos da arrogância. Apaixonei-me pelos sorrisos e gargalhadas, apaixonei-me pela maneira como implicas comigo e pela maneira como a tua mão descansou na minha cintura quando estivemos juntos, com o polegar a fazer círculos na minha pele por cima do tecido. Apaixonei-me pelo teu toque e pelos teus beijos sedentos. E depois de tudo, ainda me apaixonei pela tua insegurança escondida, aquela que sem queres demonstraste em momentos de fraqueza. Apaixonei-me também pelo ciúme que tiveste, mais por medo de ferir o orgulho do que propriamente por mim, mas por doces momentos deixei-me acreditar que eram ciúmes de veres outro homem a falar comigo. Apaixonei-me pela voz com que me chamaste de namorada, embora fosse só a brincar. Apaixonei-me pela maneira que adormeceste abraçado a mim, com o teu corpo quente encostado ao meu. Apaixonei-me por ti por olhares para mim e não veres os meus defeitos, e se os viste, beijaste-os a todos como se fossem perfeições. Apaixonei-me por teres conseguido dar rumo á tua vida quando muitos no teu lugar teriam desistido, apaixonei-me pelo carinho e dedicação que tens pela família e pelos amigos e apaixonei-me pela maneira como nunca desististe de correr atrás do teu sonho.
E queria que tudo o que me faz desapaixonar fosse superior ao que me fez apaixonar mas não é. Desapaixonei-me pela maneira como sei que nunca te consegues prender a ninguém e te entregas ao prazer puramente carnal. Desapaixonei-me pela mentira, e pelos segredos. Desapaixonei-me pela maneira como tentas sempre esconder a verdadeira pessoa que és por dentro, desapaixonei-me pelas palavras que trocas com teus amigos e por certas frases absolutamente ordinárias que algumas vezes saem sem pensar(julgo eu!). Mas mesmo agora, tentando lembrar-me o que me desapaixona em ti, o que sinto é forte demais, cega-me, desfoca as minhas razões para me desapaixonar… E mesmo depois de tudo…depois da dor, da desilusão… meu coração ainda corre para as tuas mãos mesmo com a certeza que só o vais atirar para o lixo ou espezinha-lo como o tens feito… mas apesar de tudo…amo-te!


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