terça-feira, 29 de junho de 2010

Os caminhos da saudade...(1)

Está um dia cinzento. Estou sentada á beira do Tejo, em pleno PArque das nações. Não sei porque escrevo, talvez porque sinto vontade de escrever mas não sei bem o quê. A minha alma é um turbilhão de memórias. Estou próxima do local onde nos beijamos na última vez que te encontrei em Lisboa. Naquele dia, vim ter contigo convencida (com alguma dificuldade) que era só um encontro de amigos, tinha que acreditar nisso, afinal fazia tanto tempo desde a última vez que te tinha visto...

Quando te vi, o meu coração não saltou tanto quanto esperava, as minhas mãos não suaram e as minhas pernas não estemeceram, o chão não me faltou debaixo dos pés e sentia-me flutuar como antes acontecia sempre que te tinha por perto. Nesse momento pensei que finalmente conseguia encarar a realidade e que tinha aceite que tu e eu eramos e seriamos apenas bons amigos de longa data.

Era quase noite, apenas os últimos raios do sol iluminavam o nosso caminho e o rio ao nosso lado era colorido por tons quentes. conversamos durante horas. Fazia tanto tempo que não nos sentavamos a conversar, havia tanta coisa que eu queria saber de ti e da tua vida e muitas outras que te queria contar da minha. E depois de três coca-colas e muitas gargalhadas, decidimos caminhar juntos á beira do rio. E aí as palavras calaram, e naquele momento de silêncio, olhei-te nos olhos e neles vi promessas que julguei nunca mais ver. Olhaste-me como se me visses a alma e mergulhasses-lhe dentro. Foi nesse segundo que o meu coração saltou, as mãos suaram e tive que me encostar a ti porque perdi as forças nas pernas, o chão parecia ter-se dissolvido. Colocaste o teu braço em torno dos meus ombros e apertaste-me contra ti. Pela primeira vez em muitos anos senti que estava no lugar certo e que finalmente o meu mundo deixara o caos, como se tivesse andado á deriva durante anos e naquele momento avistasse terra.

Não sei te explicar a sensação de paz que senti ao teu lado, a tranquilidade e segurançça que se apoderou de mim. Como se o mundo fosse um lugar perfeito e nele só existisse eu e tu.
Andamos mais um pouco, assim abraçados, até que paraste e voltaste a mergulhar nos meus olhos.

"Tive saudades tuas..." murmuraste antes de me puxares contra o teu corpo e apertares-me com força como se me quisesses colar a ti para nunca mais me perderes. E eu queria ficar assim para sempre e também não queria que me perdesses porque eu sem ti não sou eu, sou só um meio eu.

Por mim ficavamos naquele lugar para a eternidade, mas a noite chegou e tivemos que dizer adeus. O retorno a casa foi doce e amargo. Doce pelas lembranças, pelo facto de te ter reencontrado e de perceber que o que existe entre nós vai além do tempo e da distância, amargo porque de repente as dúvidas assaltaram-me. Já tantas vezes isto acontecera, encontrar-te... sentir-me voar e de repente as asas cairem-me e tu saires da minha vida... Sérá que era isso que ia acontecer de novo? Estaria eu destinada a perder-te todas as vezes que te encontrava?

Sem comentários: