quarta-feira, 1 de julho de 2009

Liberdade...

Há dias em que ser livre custa. Nesses dias percebo como a independência é solitária. Há dias em que a solidão toma conta de nós, envolve-nos como um manto negro e, enquanto caminho pela casa vazia, pergunto-me se ás vezes não era melhor estar presa a alguém... Nem sempre a liberdade que possuo compensa a solidão que sinto naquelas longas horas onde não há ninguém para abraçar, sorrir, falar, até discutir. Mas depois reencontro alguém na rua e tudo desvanece, para apenas voltar com mais força quando entro na casa silenciosa. Aquele silêncio esmagador que quase me empurra contra as paredes. Sinto vontade de fugir, de desistir de tudo e voltar para a casa onde cresci, sempre cheia de barulho e pessoas. Ali não faltavam risos e palavras. Toda a gente sabia de toda a gente, não havia muito espaço para privacidade, mas também não havia muito tempo para a solidão. E sinto falta de ter pessoas entrando e saindo de casa, tenho saudades dos risos das crianças correrem os quartos e corredores, tenho saudades da música alta invadir todos os recantos da casa, sinto falta de ter alguém constantemente a bater na minha porta para pedir algo ou me mandar fazer alguma coisa ou simplesmente perguntar como estou.
Nesta cidade grande, repleta de pessoas, nunca me senti tão sozinha. Neste local onde tenho tudo ao estender da mão, falta-me o essencial, falta alguém na minha vida que preencha este vazio que sinto cá dentro e se reflete na minha casa.
Mas foi este o caminho que escolhi e voltar atrás é admitir derrota... Então sou livre mas só...

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